Fabio Mergulhão, fotógrafo

Atualizado: há 2 horas
Em 1989, comecei a trabalhar como assistente de fotografia. Um dos meus primeiros aprendizados foi a revelação em quarto escuro. Filme, papel fotográfico e químicos faziam parte de um processo inteiramente manual. Ver uma fotografia surgir durante a revelação despertou ainda mais meu interesse pela fotografia.

Nos anos 90, a fotografia me aproximou da música eletrônica. Comecei a frequentar clubes e festivais, conhecer DJs e fotografar o que acontecia nas pistas de dança. Aos poucos, percebi que aquela cultura passaria a fazer parte da minha vida.
Jornal da Tarde, 2002. Trajetória de Fabio Mergulhão, fotógrafo da cultura da música eletrônica. Discology, Lov.E. Pistinha Sala VIP, especial DJs fotógrafos. Coleção de livros, revistas e prêmios reunidos ao longo da trajetória do fotógrafo Fabio Mergulhão.
Na cena eletrônica, comecei a desenvolver uma linguagem própria, fotografando em baixa velocidade. Desde cedo, procurei interferir o mínimo possível no que acontecia diante da câmera, preservando a iluminação, o movimento e a liberdade das pessoas naquele espaço. Mais do que uma questão técnica, essa linguagem nasceu do convívio e da confiança dentro dos clubes e festivais.
A proximidade com os DJs ampliou também minha relação com a música. A convivência me trouxe repertório e permitiu observar de perto diferentes estilos, atitudes e técnicas de mixagem. Quanto mais eu compreendia o que acontecia na pista, mais próximo conseguia chegar com a fotografia.

Acompanhei uma transformação importante na cultura DJ. Os cases de discos de vinil deram lugar aos cases de CDs e, depois, aos computadores e pendrives. Eu sempre tive preferência pelo vinil. A escolha do disco, o movimento de tirá-lo do case, colocar a agulha e o toque dos dedos criaram um ritual muito presente na minha fotografia.
Ricardo Villalobos, Warung Beach Club. Fotografia de Fabio Mergulhão. Anderson Noise, Skol Beats 2003. Fotografia de Fabio Mergulhão. DJ Marky, Skol Beats, anos 2000. Fotografia de Fabio Mergulhão.
Da Folha de S.Paulo aos flyers que divulgavam as noites, das revistas especializadas às exposições. Em uma época em que existiam poucas publicações dedicadas à música eletrônica, cada foto publicada ajudava a registrar um pedaço daquela história. Ano após ano, fui construindo um acervo de impressos que hoje ajuda a preservar a memória daquele tempo e daquela geração.
Minhas fotografias passam a fazer parte da curadoria da Moskito Eletriko. Ampliadas e impressas em diferentes formatos e processos, as séries fotográficas estão disponíveis para venda na loja.
série ÍCONES
A série ÍCONES representa uma época, uma cultura e um movimento. Fotografias do acervo de Fabio Mergulhão, selecionadas por sua relevância cultural e pela linguagem visual construída entre cor, luz e movimento. Registradas desde o final dos anos 1990, em diferentes momentos e lugares.
Ao longo de décadas, essas imagens circularam por jornais, revistas, livros e exposições, contribuindo para preservar a cena eletrônica daquela época, em um período em que os registros fotográficos das pistas de dança eram escassos.
As fotografias da série ÍCONES estão disponíveis para venda na Moskito Eletriko.
Moskito Eletriko
Conectando gerações através da música e dos videogames.



